Vaidade



Vaidade
(A um grande poeta de Portugal)
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade !
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo ! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade !
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita !
Sonho que sou Alguém cá neste mundo …
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada !
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho … E não sou nada! …
(Florbela Espanca)

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2 Comentários

  1. Quem de nós não há de ter sonhado sonho semelhante a este, de modificar, senão a face do mundo, ao menos a face das pessoas; e se não de todas, ao menos de algumas, ou de uma?! Mas, quando acordamos do sonho, conseguimos tão pouco! Assemelha-se tanto a nada! Belíssimo poema! Belíssima dedicação! Beijosssssssssssss

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  2. Tocar o mundo, ou pelo menos o mundo de alguém, é um sonho que por si só é pura grandeza, mas a realidade, ao acordar consegue tão pouco, que se sente como se fosse nada. Ainda assim, o importante é continuar a sonhar, a ser poeta, que ao menos o nosso mundo interior podemos tocar.
    Um grande abraço!

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