Nossas estrelas

28 março 2017

Quando a poesia surge em uma conversa no whatsapp.
Antiga amizade, ou amizade antiga? Duradoura eu diria!
Dos 6(?) aos tantos, e verões virão.
Lembro-me de tua euforia ao tentar me explicar uma ideia, um plano mirabolante, e eu caia na risada mas te apoiava.
Do pé de goiaba no fundo do quintal ao Canadá. Consegue imaginar?! Claro que sim!  
Ainda és um sonhador, cheio de planos, e de encanto pelas coisas e pela vida. 
Das estrelas na varanda da infância, às estrelas de nossas teorias.
Amizade é assim, amizade é 'nós'.


Para F.B. 
 Bárbara Paloma

Agora

20 março 2017

A vida é um sopro, é o que dizem. Se cinquenta anos ou só mais 5 minutos, quem pode o dizer com certeza?! De certeza, apenas que a vida passa, que as pessoas se vão, as palavras se perdem. O tempo é areia que escorre lenta, mas continuamente, até que, o último grão se esvai, e resta apenas o vazio. Se ela - a vida - é assim tão súbita e passageira, de que valem as gavetas, os baús e caixinhas decoradas, que guardam jóias para ocasiões especiais, roupas para momentos sabe lá Deus quando, cartas para a data tal, palavras pra depois que, sentimentos, gestos, desejos. Quando será o momento certo? Depois? O depois não existe, ou melhor, não sabemos se existe. Então, qual a razão de deixar mofar em nossas "gavetas" as palavras que devem ser ditas hoje? Sentimentos trancados são jóias que perdem o brilho, empoeiram, passam da hora. Gestos perdem o valor quando são apenas desejos e não se tornam feitos. Se o último grão se for amanhã, o que terá ficado? O que terá sido feito, dito, entregue, compartilhado?
Se para os pais, amores, irmãos, amigos, a moça da padaria ou porteiro do prédio... Não deixe para depois. Que o depois não existe, e o agora é dádiva!

Bárbara Paloma


Carinho

18 março 2017

O dia em que fiquei de auxiliar, mas não foi para segurar o sugador.
Numa sexta-feira, há algumas semanas, ao final de um atendimento acompanhei uma mãe e seu filho até a porta:

Obrigada pela confiança! 
Eu quem agradeço pelo carinho! - Ela me respondeu.

'Carinho' ela disse, e essa palavra ficou ecoando em mim por dias. Não foi técnica,  ou eficiência, não foi bom trabalho ou qualidade, foi 'carinho'. Sempre fui carinhosa e educada com meus pacientes, afinal, como acadêmica dependia deles para aprender, mas não imaginava a relevância disso. O filho daquela senhora era especial, e acreditem, infelizmente ainda existem profissionais que negam atendimento. Não sou especialista, ainda nem me formei, mas não precisava de técnica diferenciada, só de carinho e cuidado. Enxergar isso me transformou, para a profissão que escolhi, e para a vida.

Faltam poucos meses para a formatura, e até então eu era 'técnica', me formando como profissional, mas aprendi a ser 'carinho' e 'cuidado', me tornando humana.


Portão azul

07 março 2017

Acordou cantando aquela música feliz:


"Ficar parado em frente ao portão não faz seus pés tocarem no jardim
Os passos que me levam são os mesmos que retornarão
E você fica aí tentando imaginar como seria do outro lado
por não querer perder de vista o que não se perde por esperar...


De coração tranquilo saiu de casa e foi viver seu dia. 
Quintana na bolsa, renovada poesia no coração e na biblioteca. Coração novo, notou. Se surpreendeu com o encontro de hoje, mas não se acelerou, não se alegrou, não reagiu ou se entristeceu. Apenas sorriu um tranquilo cumprimento, se percebeu recuperada de meses atrás, e de coração tranquilo, voltou para casa cantando a mesma música que cantava pela manhã...

"Ah deixa de evitar o inevitável é, viver na plenitude
Abra o portão azul, da casa mais bonita.

Venha ver o jardim, da casa do portão azul
Venha ver o jardim, da casa do portão azul..."


Bárbara Paloma
Música: Portão Azul - Lorena Chaves

A vida é em verbos

01 março 2017


Nascer
Crescer
Aprender
Ensinar

Acordar
Olhar
Sorrir
Amar

Sentir
Chorar
Abraçar
Doar

Sonhar
Crer
Buscar
Alcançar

Encontrar
Cuidar
Compartilhar
Recordar

Sofrer
Suportar
Fortalecer
Recomeçar

Amanhecer
Anoitecer
Chover
Ensolarar
Poematizar

A vida é em versos.
A vida é em verbos.
A vida é viver.
Bárbara Paloma





Poema e o poeta

28 fevereiro 2017



"Teu poema me trouxe à memoria alguém a quem amo."
É o que dizem dos poemas de amor. Eles têm esse efeito, tocar o coração de quem lê e trazer à superfície o nome de alguém.

"Então ele cumpriu o seu propósito." Responde o poeta.

 E o poeta... Quem se lembrará dele? Qual poema lembrará o seu nome?
Não será esta, então, a sua sorte... Viver a vida a fazer poemas que tocam outros, até que um, algum dia, alcance o poeta submerso na memória de alguém.


Bárbara Paloma

Noite

27 fevereiro 2017


Sabiá

24 fevereiro 2017

Hoje lembrei-me de uma canção que minha mãe cantava quando eu era pequena:

"Sabiá na gaiola fez um buraquinho,
Voou, voou, voou.
A menina que gostava tanto do bichinho,
Chorou, chorou, chorou.
Sabiá do poleiro foi cantar no abacateiro
E a menina pôs-se a chamar
Vem cá sabiá, vem cá...
Vem cá sabiá, vem cá..."

Não tinha gaiola, 
tenho aversão a elas.
Não tinha o poleiro, 
E nem mesmo o Sabiá.
Mas eu tinha o seu canto 
em minha janela... 
Seu bonito canto.
E a canção continua...

"A menina diz soluçando,
Sabiá estou te esperando.
Sabiá responde de lá...
Espera que eu vou voltar!
Espera que eu vou voltar!"

Vai mesmo?

 
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